Terça-feira, Janeiro 27, 2009

"E ao sétimo dia, descansou."

Domingo, Janeiro 11, 2009

Continuando...

Exposição Urbana I

(Relato tristemente verídico. Não é para rir.)

Pior que a conversa de uma velhinha no autocarro?

A conversa de quatro velhinhas no autocarro, naqueles bancos aos pares, um virado para o outro, que tanto insistem em conquistar logo que entram. É uma espécie de mesa de café, mas de pessoas de terceira idade do sexo feminino, com certa tendência para a hipocondria.

E pior que isso?

Isto:

(Mesa de café. Dois homens e uma mulher, ela no meio deles, com ar de tédio.)

Sujeito 1 – Mas eu tive uma ideia!

Sujeito 2 – Diz-me.

Sujeito 1 – É pá, a ideia principal era arranjar uma pessoa para abrir um negócio e trabalhar comigo. E tu sabes quem é!

Sujeito 2 – É pá, não me digas, que eu já sei quem é!

Sujeito 1 – Então diz lá!

Sujeito 2 – O quê?

Sujeito 1 Diz lá quem é que estás a pensar quem é!

Sujeito 2 – É pá, diz tu.

Sujeito 1 – Não! Tavas as dizer que sabias quem era, agora não digo, dizes tu!

Sujeito 2 – É pá, mas diz lá quem é!

Sujeito 1 – Não, não falo. Disseste que sabias, agora dizes.

Sujeito 2 – É pá, mas diz tu!

Sujeito 1 – Não digo. Disseste que tavas a pensar quem era, dizes tu primeiro!

Sujeito 2 Não quero, diz tu primeiro.

Sujeito 1 – Tavas a pensar, agora dizes.

Sujeito 2 (depois de uma pausa, com ar muito pesaroso, abanando a cabeça negativamente e taciturno ) – É pá... Pensei mal.

Sujeito 1 – Pensaste mal?

Sujeito 2 – Pensei mal quem era. Mas quem é, pá?

Sujeito 1 – Não digo.

Mulher (levanta-se, ainda com ar de tédio, apaga o cigarro e vai pagar a conta.)

Quinta-feira, Janeiro 08, 2009

Deadpan


É tramado, quando alguém não nos dá troco.
Ficamos nervosos e fugimos ao assunto inicial.
E começamos a dizer disparates compulsivos num desespero por atenção.
E continuam a não nos ligar.
E as asneiras não param de sair, sem nexo algum.

Acabamos nós por fazer figura de urso, quando era precisamente o contrário que queríamos.
É tramado.

(Não é um relato pessoal. Só para evitar confusões)


Terça-feira, Janeiro 06, 2009

Manifesto III

Titus Petronius, the elegantiae arbiter

A luxúria e extravagância. A sátira e o escárnio. O Juiz da elegância.
O gosto pessoal como único padrão. A crítica como forma de vida.
Satyricon, contra tudo e todos.
Sempre de um só ponto de vista. O próprio.
Na corte imperial de Nero, o ridículo e o degredo proliferam.

Mas quem é quem para julgar quem quer que seja?

Há mais que a ambição de ser o melhor, sim. Há a ambição de se ser melhor. Sem o artigo definido “o” e com ênfase no ser.
Mas isso é pessoal, entre mim e Ele.
Se tiver que passar por terceiros, que seja segundo a janela de Johari.

Se alguém achar que é definição de mediocridade, ache.
Eu chamo-lhe discrição. Ou humildade.
E acredito piamente que sou melhor assim. Não o melhor, isso é para desportistas.

Petronius, rest in peace. Pathos, logos, ethos, I shall rest my case.


Ps: Figuras Tristes, ou Não Deixes de Querer Fugir, ambas de Nuno Prata, diz o mesmo por outras notas. Vale a pena ouvir.


Segunda-feira, Janeiro 05, 2009

Manifesto II (e se não for para fazer rir?)



"Nós não temos de ser os melhores,
para nós há lugar também.
Aliás, há já tantos melhores
que não sobra espaço para mais ninguém."


Nuno Prata


Este blog é meu.
Eu criei este blog.

Aos que ainda não o perceberam, nunca quis que fosse nada. Apenas que fosse. Confuso?

Não procuro atingir qualquer estrelato, entreter pessoas ou afirmar-me enquanto o que quer que seja.

Aqui, sou eu, em curtos episódios de egoísmo.
E partilho-os com quem achar que vale a pena perder 5 minutos do seu dia a ver parvoíces.
Simplesmente parvoíces, nada mais.

Como um músico de jazz; não precisa, nem quer gravar discos, ser o melhor qualquer coisa, atingir o top que alguém escolheu - Limita-se a tocar em bares ou em casa dos amigos, porque esse é o seu mundo, e a sua música transpira retratos de si próprio, deixando pegadas nas memórias voláteis dos que o ouvem...
Os que não gostam de jazz, não o entendem. "E daí"?
Se toda a gente gostasse do mesmo...bem, que inferno.

Nem tudo precisa de ser qualquer coisa. ( alegre ou triste, cómico em oposição ao sério, melancólico urbano ou então um
bucólico cheio de vida, porque não?)
Mas tudo precisa de ser, se não não existe.
Se existe, é. Mas pode ser só isso, sem rótulos e sem nomes.
Qual é o mal de apenas ser, que, por si só, já é tanto?

Ser não é querer. E eu sou. E este blog não quer.

Enfim, não pretendo absolutamente nada com esta sopa de tomates, nem com o que nela escrevo.
Quem quiser, coma.
Apenas é. Só.
Nada mais.


PS: Há sempre o caldo-verde, que é tão bom.

Quinta-feira, Dezembro 04, 2008

Mini-Era Glaciar


Sabes que está frio quando vais ao quarto de banho aliviar as necessidades e um agradável vapor com cheiro a urina te sobe até às narinas

Sábado, Outubro 11, 2008

Manifesto

Querido Pai Natal:

Este ano queria que ninguém trocasse os "b" pelos "v";
Queria também que nenhum adulto tivesse o Cristiano Ronaldo como referência, ou qualquer outra personagem do mundo do futebol, que os miúdos voltassem à febre dos dinossauros, ou do Pokémon, e que deixassem de querer ser futebolistas;
Gostava de pedir que as novelas portuguesas para jovens adolescentes desaparecessem misteriosamente, e que todos os posteres relativos a este tema entrassem em combustão espontânea;
E ainda, que saia uma lei que proíba, sob pena de espancamento em público, o "tunning" e a música que costuma acompanhar essas obras de satanás.

P.S. Se não for pedir de mais, queria que os brincos na orelha dos rapazes aqueça de tal modo que lhes faça um verdadeiro buraco, capaz de competir com as tribos africanas.


Obrigado, Feliz Natal!

Sábado, Junho 14, 2008

Relato verídico



Gertrudes (nome fictício) tem 26 anos, natural dos subúrbios de Coimbra e recomeçou a sua vida. Nada faria prever que a mesma rapariga que aos 17 anos estudava para entrar em Marketing, Costura e Alfaias acabasse anos depois sem ninguém que a amparasse e sustentasse.

"Tudo começou numa visita de estudo, um colega meu disse-me que pagava 1000 escudos se eu lhe providenciasse determinados serviços". O cinzento dos 1000 escudos falou mais forte pela primeira vez, horas depois da camioneta ter chegado ao Liceu. "Claro que nos rapazes não podemos esperar que guardem segredo. Então ele contou logo aos seus amigos no café, no Liceu. A partir daí as propostas choviam, chegaram-me a pagar 3 contos por 10 minutos. Era dinheiro fácil, pensei que conseguisse viver fazendo o que fazia. Comecei a faltar às aulas e no final desse ano não tive média para entrar. Foi o princípio do fim, eu não percebi na altura mas agora sei que foi. Não regressei à escola no ano seguinte e comecei a receber os meus antigos colegas, os seus amigos, e não sei que mais gente em casa. Como a minha mãe trabalha na cidade e só volta no autocarro das 7h tinha a casa à minha vontade.”

Embora em relatos semelhantes haja uma repulsa pela profissão, Gertrudes nunca sentiu isso. “O dinheiro tomou conta de mim, só pensava em ganhar mais e mais e mais. Cheguei a receber e a despachar vários clientes ao mesmo tempo. Disse para mim que nunca aviaria pessoas com idade para ser meu pai ou avô, mas quando deixei de conseguir clientes da minha idade, tive que aceitar a situação. Descartei todos os meus valores. O problema com pessoas mais velhas é não quererem que se saiba o que andavam a fazer quando iam ter comigo. Fui ameaçada várias vezes.”
Neste aspecto o relato é feliz, Gertrudes cinturão negro em Shao Lin levou sempre a melhor. A vida que parecia a Gertrudes correr de feição e sem dificuldades aparentes levou um abalo em 1999. “Foi nessa altura que vieram as espanholas. Montaram uma empresa, que descontava para o IRS e tudo, lá na Espanha eles têm uma economia diferente. Como era dedutível perdi clientes e clientes, todos os dias vinham menos pessoas. As marcações que na minha agenda chegaram a estar mais cheias que a lista de espera da operação às cataratas passou a ter uma entrada por semana, às vezes menos. Nessa altura deprimi-me, nem saía da cama e perdi a destreza toda. Nunca mais recuperei o negócio e tive que regressar à escola. Cheguei a colocar flyers nos pára-brisas dos carros a tentar salvar o negócio, mas os indianos dos restaurantes tiravam-mos sempre para pôr os deles.”

A vida de Gertrudes lá se endireitou, mas o seu ódio à Corporacíon Dermoestética terá sempre uma enorme carga negativa no seu coração. “ Estas coisas da aldeia global” suspira...




texto por: Andrader

Quinta-feira, Abril 03, 2008

Os Coelhinhos Suicidas


Enquanto petiz li um livro que me sensibilizou imenso - "O Livro Dos Coelhinhos Suicidas".
Uma pérola do mundo cartoonista.
Claro que estas leituras precoces tem as suas repercussões...

Fiz este desenho em conjunto com o meu amigo e foi muito giro.

Pena na altura não encontrar lápis de cera, se não tinha ficado uma obra prima.

Domingo, Janeiro 27, 2008

O Diospiro





Com a colaboração de Francisco, mais um filme digno do sopa de tomate.